Grupo de amazonas treina para combater o câncer

[:pb]

Conheça o grupo de profissionais que treina em Barretos para melhorar qualidade dos exames de mama no Estado.

O termo “amazona” é bastante controverso. Originado da mitologia grega, há várias teorias sobre a origem da palavra. Uma dessas hipóteses é que venha do termo iraniano “ha-mazan”, cujo significado é lutando junto. Fato ou não, essa teoria serve para ilustrar o grupo de 20 profissionais do Amazonas que está em treinamento no Hospital de Barretos (SP), referência nacional no
tratamento de câncer. Nessa batalha em conjunto, muitas têm de viajar de barco por horas até chegar aos seus municípios, além de enfrentar diversas difi culdades na tentativa de aliviar o sofrimento de outras mulheres.

tecnicas_amazonas

 

A iniciativa de levar o grupo até a cidade paulista é da a Organização Não Governamental (ONG) Américas Amigas. Com o auxílio da Burson-Marsteller, empresa de consultoria de comunicação corporativa
e relações públicas, o EM TEMPO teve a oportunidade de colher experiências de algumas dessas profissionais para conhecer um pouco das dificuldades e os desafios em lutar contra o câncer em regiões tão inóspitas e distantes do país, além de dar espaço para suas sugestões. Dois pedidos são quase unânimes entre as entrevistadas e as outras 15 integrantes do curso: formação profissional e a qualidade da internet no Amazonas. Qualifi car a rede é importante em função da divulgação de laudos pela rede é lembrada por Luciana Maria Silva do Nascimento, de 38 anos, natural de Itacoatiara.
“Nossa dificuldade no interior do Amazonas é grande justamente por não termos a presença de um mastologista e os exames serem laudados em um sistema on-line. Uma internet de qualidade e investimento em treinamentos periódicos poderiam nos ajudar muito. A carência da população, a falta de informação e a dificuldade no acesso pra se fazer o exame é muito impactante na nossa região
e por isso muitas mulheres deixam de fazer seus exames”.

Áurea Neyse Pereira de Negreiros, de 39 anos, vinda de Maués, pede mais participação das autoridades nessa luta. “Acho que o nosso dia a dia no atendimento às pacientes melhoraria muito se tivéssemos mais apoio das autoridades para dispor de aprimoramento profissional, capacitações e campanhas. Nós precisamos colocar o câncer de mama em foco no Amazonas e a Américas Amigas está colaborando muito com isso. Estou muito feliz e agradecida por poder participar desse curso, com o apoio dos meus gestores e com a ajuda que recebi dos representantes do município para estar aqui em Barretos”.

Natural de Coari, a técnica Eloyse Mara de Oliveira Costa, de 29 anos, pede mais investimentos na prevenção de doenças que atingem as mulheres. “Para mim a maior dificuldade é a falta de capacitação e investimento nos programas de prevenção da doença para as mulheres da nossa região. Precisamos de mais pessoas comprometidas com essa causa. O fato de diagnosticar um câncer precocemente por meio da mamografia e aumentar a chance de cura dessas mulheres é muito importante e saber que, graças ao seu trabalho, é possível ajudar a salvar a vida de alguém não tem preço. No curso, tive a oportunidade de tirar muitas dúvidas e a experiência está sendo maravilhosa”, celebra.

A qualidade das locações para o atendimento dos pacientes também é vista como uma necessidade, de acordo com Alba Stone Serudo, de 49 anos e natural de Autazes.
“Eu acho que essa questão da internet é muito importante. Também seria bom melhorar o ambiente onde recebemos as pacientes e ter mais apoio dos gestores”, sugere. Vinda de Silves, Auricelia Maria Queiroz Assis, de 29 anos também reclama da qualidade da internet do Estado, além do comportamento de alguns médicos. “As minhas maiores dificuldades com o trabalho no interior são o acesso remoto da internet que não funciona rotineiramente, a manutenção dos aparelhos que muitas vezes não é feita e dificulta o trabalho e a lacuna que existe entre nós que realizamos os exames e a equipe de médicos que atendem as pacientes. Para ajudar na luta contra o câncer é preciso fazer um trabalho mais efetivo de conscientizar a mulher da importância do exame. Também há ainda muita negligência em relação à mamografia. Já ouvi médicos e enfermeiros falarem que não solicitaram a mamografia pois a paciente não tinha sintomas, o que no meu olhar é um absurdo”, condena.
Experiências marcantes

Acompanhar pacientes lutando pela vida contra uma doença tão grave quanto o câncer gera alguns momentos emocionalmente marcantes. Áurea Neyse Negreiros, lembra do seu momento mais marcante. “O que marcou minha vida como profissional de mamografia foi uma paciente de 22 anos que descobriu o câncer de mama. Ver tudo que ela passou sendo tão jovem me incentivou a continuar atuando nessa área e a aprender cada dia um pouco mais”, relembra. Para Alba Serudo, a primeira experiência acabou sendo justamente a mais marcante. “A primeira paciente que atendi e foi diagnosticada com câncer de mama me marcou muito. Eu acompanho o tratamento dela e uma vez ela me disse que eu era um anjo da guarda em sua vida. Isso me fez ver que meu esforço de trabalhar com mamografia vale muito”.

Apesar de se tratar de um trabalho que lida com a perspectiva da morte, algumas dessas experiências são positivas e emocionantes. “Em 2014, fiz uma palestra em uma comunidade de meu município e uma senhora muito humilde me procurou para dizer que desejava fazer o exame e eu o fiz. No final ela estava chorando, fiquei preocupada e achei que poderia ter machucado ela, mas ela me disse que nunca ninguém a tinha tratado assim. Isso me deixou muito comovida, pois jamais pensei que o simples fato de realizar o meu trabalho corretamente poderia emocionar alguém”, relata Auricélia Assis, de 29 anos, natural de Silves.

Sobre a ONG

A Américas Amigas tem como missão reduzir as taxas de mortalidade entre as brasileiras com câncer de mama, principalmente entre a população de baixa renda, por meio da detecção precoce da doença. A entidade doa mamógrafos, treina e capacita profissionais que realizam exames de mamografia e promove iniciativas de conscientização e informação sobre o câncer de mama. De 2009 até hoje, a Américas Amigas já doou 23 mamógrafos, benefi ciando 12 Estados brasileiros. No Amazonas, os municípios beneficiados são Manaus, Apuí, Coari, Iranduba, Itacoatira, Silves, Barcelos, Presidente Figueiredo, Maués, Urucará, Autazes, Manacapuru e Novo Airão. A estimativa de casos de câncer de mama, no Amazonas, para 2016 é de, aproximadamente, 440 casos, sendo 380 apenas na capital Manaus, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Apesar do índice aparentemente baixo no interior, é importante levar em conta as más condições de detecção da doença nessas localidades.

Atualmente, entre os 62 municípios do Amazonas, apenas 25 deles estão realizando mamografias. De acordo com a gerente de projetos da Américas Amigas, Mirna Hallay, o problema dessas localidades não a falta de mamógrafos, mas de qualificação para operar as máquinas.

Veja a matéria original

Fonte: Jornal Amazonas em Tempo | Data: 24/07/2016
[:en]

Conheça o grupo de profissionais que treina em Barretos para melhorar qualidade dos exames de mama no Estado.

O termo “amazona” é bastante controverso. Originado da mitologia grega, há várias teorias sobre a origem da palavra. Uma dessas hipóteses é que venha do termo iraniano “ha-mazan”, cujo significado é lutando junto. Fato ou não, essa teoria serve para ilustrar o grupo de 20 profissionais do Amazonas que está em treinamento no Hospital de Barretos (SP), referência nacional no
tratamento de câncer. Nessa batalha em conjunto, muitas têm de viajar de barco por horas até chegar aos seus municípios, além de enfrentar diversas difi culdades na tentativa de aliviar o sofrimento de outras mulheres.

A iniciativa de levar o grupo até a cidade paulista é da a Organização Não Governamental (ONG) Américas Amigas. Com o auxílio da Burson-Marsteller, empresa de consultoria de comunicação corporativa
e relações públicas, o EM TEMPO teve a oportunidade de colher experiências de algumas dessas profissionais para conhecer um pouco das dificuldades e os desafios em lutar contra o câncer em regiões tão inóspitas e distantes do país, além de dar espaço para suas sugestões. Dois pedidos são quase unânimes entre as entrevistadas e as outras 15 integrantes do curso: formação profissional e a qualidade da internet no Amazonas. Qualifi car a rede é importante em função da divulgação de laudos pela rede é lembrada por Luciana Maria Silva do Nascimento, de 38 anos, natural de Itacoatiara.
“Nossa dificuldade no interior do Amazonas é grande justamente por não termos a presença de um mastologista e os exames serem laudados em um sistema on-line. Uma internet de qualidade e investimento em treinamentos periódicos poderiam nos ajudar muito. A carência da população, a falta de informação e a dificuldade no acesso pra se fazer o exame é muito impactante na nossa região
e por isso muitas mulheres deixam de fazer seus exames”.

Áurea Neyse Pereira de Negreiros, de 39 anos, vinda de Maués, pede mais participação das autoridades nessa luta. “Acho que o nosso dia a dia no atendimento às pacientes melhoraria muito se tivéssemos mais apoio das autoridades para dispor de aprimoramento profissional, capacitações e campanhas. Nós precisamos colocar o câncer de mama em foco no Amazonas e a Américas Amigas está colaborando muito com isso. Estou muito feliz e agradecida por poder participar desse curso, com o apoio dos meus gestores e com a ajuda que recebi dos representantes do município para estar aqui em Barretos”.

Natural de Coari, a técnica Eloyse Mara de Oliveira Costa, de 29 anos, pede mais investimentos na prevenção de doenças que atingem as mulheres. “Para mim a maior dificuldade é a falta de capacitação e investimento nos programas de prevenção da doença para as mulheres da nossa região. Precisamos de mais pessoas comprometidas com essa causa. O fato de diagnosticar um câncer precocemente por meio da mamografia e aumentar a chance de cura dessas mulheres é muito importante e saber que, graças ao seu trabalho, é possível ajudar a salvar a vida de alguém não tem preço. No curso, tive a oportunidade de tirar muitas dúvidas e a experiência está sendo maravilhosa”, celebra.

A qualidade das locações para o atendimento dos pacientes também é vista como uma necessidade, de acordo com Alba Stone Serudo, de 49 anos e natural de Autazes.
“Eu acho que essa questão da internet é muito importante. Também seria bom melhorar o ambiente onde recebemos as pacientes e ter mais apoio dos gestores”, sugere. Vinda de Silves, Auricelia Maria Queiroz Assis, de 29 anos também reclama da qualidade da internet do Estado, além do comportamento de alguns médicos. “As minhas maiores dificuldades com o trabalho no interior são o acesso remoto da internet que não funciona rotineiramente, a manutenção dos aparelhos que muitas vezes não é feita e dificulta o trabalho e a lacuna que existe entre nós que realizamos os exames e a equipe de médicos que atendem as pacientes. Para ajudar na luta contra o câncer é preciso fazer um trabalho mais efetivo de conscientizar a mulher da importância do exame. Também há ainda muita negligência em relação à mamografia. Já ouvi médicos e enfermeiros falarem que não solicitaram a mamografia pois a paciente não tinha sintomas, o que no meu olhar é um absurdo”, condena.

tecnicas_amazonas
Experiências marcantes

Acompanhar pacientes lutando pela vida contra uma doença tão grave quanto o câncer gera alguns momentos emocionalmente marcantes. Áurea Neyse Negreiros, lembra do seu momento mais marcante. “O que marcou minha vida como profissional de mamografia foi uma paciente de 22 anos que descobriu o câncer de mama. Ver tudo que ela passou sendo tão jovem me incentivou a continuar atuando nessa área e a aprender cada dia um pouco mais”, relembra. Para Alba Serudo, a primeira experiência acabou sendo justamente a mais marcante. “A primeira paciente que atendi e foi diagnosticada com câncer de mama me marcou muito. Eu acompanho o tratamento dela e uma vez ela me disse que eu era um anjo da guarda em sua vida. Isso me fez ver que meu esforço de trabalhar com mamografia vale muito”.

Apesar de se tratar de um trabalho que lida com a perspectiva da morte, algumas dessas experiências são positivas e emocionantes. “Em 2014, fiz uma palestra em uma comunidade de meu município e uma senhora muito humilde me procurou para dizer que desejava fazer o exame e eu o fiz. No final ela estava chorando, fiquei preocupada e achei que poderia ter machucado ela, mas ela me disse que nunca ninguém a tinha tratado assim. Isso me deixou muito comovida, pois jamais pensei que o simples fato de realizar o meu trabalho corretamente poderia emocionar alguém”, relata Auricélia Assis, de 29 anos, natural de Silves.

Sobre a ONG

A Américas Amigas tem como missão reduzir as taxas de mortalidade entre as brasileiras com câncer de mama, principalmente entre a população de baixa renda, por meio da detecção precoce da doença. A entidade doa mamógrafos, treina e capacita profissionais que realizam exames de mamografia e promove iniciativas de conscientização e informação sobre o câncer de mama. De 2009 até hoje, a Américas Amigas já doou 23 mamógrafos, benefi ciando 12 Estados brasileiros. No Amazonas, os municípios beneficiados são Manaus, Apuí, Coari, Iranduba, Itacoatira, Silves, Barcelos, Presidente Figueiredo, Maués, Urucará, Autazes, Manacapuru e Novo Airão. A estimativa de casos de câncer de mama, no Amazonas, para 2016 é de, aproximadamente, 440 casos, sendo 380 apenas na capital Manaus, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Apesar do índice aparentemente baixo no interior, é importante levar em conta as más condições de detecção da doença nessas localidades.

Atualmente, entre os 62 municípios do Amazonas, apenas 25 deles estão realizando mamografias. De acordo com a gerente de projetos da Américas Amigas, Mirna Hallay, o problema dessas localidades não a falta de mamógrafos, mas de qualificação para operar as máquinas.

Veja a matéria original

Fonte: Jornal Amazonas em Tempo | Data: 24/07/2016
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